terça-feira, 4 de março de 2008

Legião Romana








Legião Romana era a divisão fundamental do exército romano. As legiões variavam entre os 4000 e os 8000 homens, dependendo das baixas que eventualmente sofressem nas batalhas. Para além dos soldados, há que contar com os inúmeros servos, escravos e seguidores que as acompanhavam.
Durante as suas campanhas na Gália, as legiões de Júlio César eram compostas por não mais de 3000 soldados.

Raiz dos exércitos modernos

Durante a República e certos períodos do Império Romano, não havia um exército romano propriamente dito. Cada general, ou alto magistrado, possuía uma ou mais legiões que lhe eram fiéis e obedeciam antes as suas ordens que as de um comandante geral. Durante a República, cada cônsul era responsável por suas próprias legiões, devendo também comandá-las.
A Legião Romana venceu gregos, cartagineses, gauleses, bretões, sírios, egípcios e hispânicos. Sua força ocupou dez mil quilômetros de fronteiras e saiu da Europa rumo à África e ao Oriente Médio: eram os grupos de guerreiros que formavam o exército do império. Em seu auge, século Ia.C, organizadas para realizar manobras bastante difíceis, cada legião tinha até seis mil homens distribuídos em três grandes grupos: as coortes, os manípulos e as centúrias. Suas duas maiores lições são copiadas, até hoje, pelos exércitos do mundo todo: disciplina e estratégia.
Dos, em média, 5000 homens em uma legião, cerca de 300 eram provenientes de cidades ou estados vassalos, e faziam o papel de auxiliares de infantaria ou cavalaria.
O componente principal da legião era a infantaria pesada, formada por soldados que lutavam a pé, armados com pilo e gládio, protegidos por uma lorica segmentata, um escudo retangular convexo e um capacete, sendo que o mais utilizado no período foi o modelo imperial gálico. A infantaria era organizada em forma de xadrez, com as tropas intercaladas. Na primeira linha de combate ficavam os guerreiros mais jovens, chamados de hastati. Homens mais resistentes, chamados príncipes, formavam a segunda linha de combate e entravam em ação quando os hastati falhavam. Na terceira linha, os soldados mais experientes entravam na briga nos momentos decisivos. Faziam, ainda, parte da infantaria, as bandeiras coloridas que, no meio do caos, mostravam onde estava cada um dos grupos de soldados.
A Legião era dividida em centúrias (divisões com 80 legionários e não 100), comandada pelos centuriões. Também essas eram, eventualmente, divididas em grupamentos de dez.
Cinco a oito centúrias formavam a coorte, geralmente comandada por um tribuno; seis a oito coortes formavam a Legião.

Origem das legiões

As Legiões tiveram origem quando Roma era ainda uma cidade modesta, que enfrentava constantes conflitos com povos vizinhos, como etruscos, samnitas, vênetos e outros. Começaram com um dever patriótico, pelo qual todo romano livre, do sexo masculino e maior de idade tinha o dever de pegar em armas, quando necessário, para defender a cidade. Passado o perigo, o exército dispersava-se e cada um voltava às suas atividades normais. Mais tarde, com a expansão territorial que viria a dar origem ao Império Romano, surgiu a necessidade de um exército profissional, que estivesse disponível permanentemente e pudesse ser enviado para onde fosse necessário. Daí em diante, as Legiões passaram a ter caráter voluntário. Em geral não havia falta de interessados, já que o soldo de um legionário era consideravelmente superior ao salário dos trabalhadores comuns, além de (salvo exceções) ser pago com regularidade. Inicialmente só cidadãos romanos podiam ingressar nas Legiões, o que não significa que exclusivamente italianos as integrassem: filhos de cidadãos romanos nascidos nas províncias, muitas vezes de mães nativas, eram igualmente cidadãos.

Os legionários

O exército romano, para melhorar os pontos fracos da cavalaria, alistava soldados dos povos dominados. Quem lutasse na legião e saísse vivo, ganhava a cidadania romana. Para lutar, os legionários usavam uma lança, uma espada curta e um pequeno punhal. Para se defender uma armadura e um escudo gigantesco.
Não havia uma idade determinada para alistar-se, mas a maioria dos candidatos a legionários sentava praça logo ao atingir a maioridade, o que, entre os romanos, acontecia aos 17 anos. Embora tenha havido variações ao longo do tempo, durante a maior parte da história das Legiões o tempo de serviço regulamentar era de vinte anos. Ao dar baixa, o legionário fazia jus a uma recompensa em dinheiro equivalente a um ano de soldo, por vezes com um bônus para os que concordassem em fixar residência na província onde houvessem servido por último. Com isso, o ex-soldado podia comprar um pedaço de terra ou abrir um negócio. Legionários reformados morando nas províncias tornavam-se, assim, fazendeiros, comerciantes ou artesãos, geralmente casavam-se com mulheres locais, e era muito provável que seus filhos viessem futuramente a se tornar também legionários. Dessa forma, as Legiões, além de sua importância militar, também se constituíram num poderoso elemento de difusão da cultura romana.

Hierarquia militar


Legionário > Decurião > Centurião > General
· Legionário = equivalente ao soldado atual;
· Decurião = comanda uma fileira de 10 legionários;
· Centurião = comanda uma centúria (10 Decuriões);
· General = comanda uma legião (10 Centuriões).

Armas e equipamentos

Armas de defesa

Todas as armas dos legionários romanos tiveram uma evolução ao longo da história da República Romana e do Império Romano. As armas de defesa do legionário romano eram:
· A lorica em uma das suas variantes: lorica hamata, lorica squamata, lorica segmentata, lorica musculata eram desenhadas para serem flexíveis, mas resistentes;
· Um scutum ou escudo (com particular decoração para cada unidade) ;
· Um balteus ou cingulum militaris (cinto para segurar as armas e para decoração);
· Um elmo, chamado cassis (com proteção para o pescoço e orelhas). O elmo podia ter também uma crista, somente para sob-oficiais e oficiais;
· Um caligae ou sandálias de marcha;
· Uma túnica de cor vermelha.

Armas ofensivas

Os legionários romanos dispunham de três tipos diversos de armas ofensivas:
· O gladius ou gládio: uma espada com uma lâmina longa (50-55 cm), a arma por excelência do legionário romano, levado à direita da cintura;
· O pilum ou pilo, que tinha a função de, depois de lançado, fixar-se no escudo do adversário que era obrigado a privar-se dele;
· O pugio, punhal que era levado na cintura.


Leia também!

► Centurião

► Lista de legiões

► A Religião e os Soldados

► Guarda Pretoriana

► Tropas Auxiliares

2 comentários:

nutecaminhosdaluz disse...

Encontrei seu blog na comunidade de História. O material é bem interessante.
A proposito quais as fontes de pesquisas desse blog?

Parabéns!
Vou continuar lendo todo material

um abraço
André

Filipe disse...

Passei minha infancia, revirando cebos e colecionando livros sobre a Antigüidade, quando derrepente este site me põe no chinelo! Fantástico!