quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Todos os caminhos levam a Roma

Hoje em dia, os caminhos terrestres, aéreos ou marítimos levam viajantes a qualquer lugar. Porém, quando queremos dizer que todas as alternativas têm a mesma solução, dizemos que “todos os caminhos levam a Roma”. A tradição vem, é claro, dos tempos da antiga Roma, quando a cidade dos césares era o umbigo do mundo. “No século 1, quando o Império ia da Bretanha (na atual Inglaterra) à Pérsia (no atual Irã), Roma chegou a ter 80 mil quilômetros de estradas”, segundo pesquisa da historiadora Maria Luiza Corassin, da Universidade de São Paulo.

Mas as vias romanas não eram como as atuais, nem seus propósitos eram os mesmos. “Elas não se destinavam ao transporte de pessoas e cargas. Chamadas de cursus publicus, eram muito mais um meio de comunicação, por onde mensageiros levavam ordens de um canto a outro do império”, afirma Maria Luiza. Segundo ela, esse correio era tão eficiente que podia percorrer 270 quilômetros em um dia, marca que não foi superada na Europa até o século 19.




Com os romanos, a engenharia rodoviária atingiu o ponto máximo de eficiência e aprimoramento tecnológico da antiguidade. No auge do poder de Roma, foram construídos perto de 85.000km de estradas que ligavam a capital às fronteiras mais distantes do império. Irradiavam de Roma 29 grandes estradas militares, das quais a mais conhecida é a via Ápia, que se estendia por 660km. Há divergências sobre a origem dos métodos romanos de construção de estradas, mas é consenso que seus principais mestres foram etruscos do norte da Itália. Os romanos incorporaram também técnicas aprendidas de diversos outros povos, como os cartagineses, fenícios e egípcios.

As estradas romanas eram verdadeiros prodígios para a engenharia da época. Eles usavam pedras e cimento acomodados sobre leitos aplainados e aterrados. As vias eram traçadas sempre em linha reta e passavam por cima de lagos, pântanos e montanhas. As pedras para o calçamento tinha superfícies curvas para facilitar a drenagem, outra novidade para a época. Ao largo delas havia postos de parada e descanso para guarnições militares.

Decadência do sistema rodoviário

No auge do Império Romano, o comércio pelas rodovias ligava as culturas da Europa, norte da África, Anatólia, China e Índia. Mas esse sistema dependia dos impérios, principalmente o romano e, com seu declínio a partir do século IV da era cristã, as rotas comerciais tornaram-se os caminhos de invasão. Praticamente todas as redes rodoviárias sofreram um processo irreversível de decadência.

Testemunhas do poder, da tecnologia e do espírito conquistador dos romanos, essas estradas não resistiram, porém, às invasões bárbaras a partir do século 3. Anos depois da queda definitiva do Império Romano do Ocidente, em 476, as pedras cortadas e polidas com precisão foram utilizadas para erguer os castelos medievais.

Por volta do século XII, renasceu o interesse pela construção e manutenção das estradas, especialmente na Europa, mas a peste negra do século XIV e as contínuas guerras entre principados interromperam novamente o processo.

Os vestígios de algumas dessas estradas romanas ainda podem ser vistos na Bretanha, por exemplo, ou em Roma, onde a principal delas, a Via Ápia, ainda recebe todos os anos milhões de visitantes.

.:: Aventuras na História / Porto Gente

Um comentário:

José Castro disse...

Gostei muito da pesquisa que fiz algo se aprende sempre eu como gosto muito de aprender vou pesquisando até porque o saber não ocupa lugar e aprender estimula a mente