domingo, 22 de novembro de 2009

Primeira Rebelião Judaica

A rebelião Judaica

Cada vez mais se elevavam as vozes contra a odiada Roma. Ao partido dos "zelotes" afluíam fanáticos e rebeldes que reclamavam incansavelmente a supressão do domínio estrangeiro; cada um deles levava um punhal escondido debaixo do manto. Seus actos de violência alarvam o país. Os abusos de força dos procuradores romanos tornavam a situação ainda mais delicada; aumentavam cada vez mais os partidarios dos radicais A crescente indignação estourou em franca revolta no meio de 66. Quando, após muitas arbitrariedades, o procurador da Judéia Floro requisita 17 talentos do tesouro do Templo, a revolução estoura. Os judeus escarnecem do procurador, fazendo uma coleta para o "pobrezinho" Floro. Resultado: Floro entrega para os seus soldados uma parte de Jerusalém, para que seja saqueada e crucifica alguns homens importantes da comunidade judaica. O povo, em supremo desprezo, não reage diante do saque, e o desprezo é vingado: há uma carnificina geral. Então, os revolucionários chefiados por Eleazar, filho do sumo sacerdote, ocupam o Templo e a fortaleza Antônia. Os judeus de Jerusalém tinham sitiaram a única coorte da 3a Gallica, cuja base era nessa cidade; e após dias de luta cruel, tinham matado todos os homens, exceto o comandante da coorte, o prefeito do acampamento, Metílio, mesmo após todos terem se rendido. Ao mesmo tempo, membros da seita zelote tinham se encaminhado para a fortaleza de Masada, no Mar Morto, e massacrado a coorte da 3a lá baseada. Outro bando de rebeldes tinha feito o mesmo na fortaleza de Chipre, que tinha visão panorâmica da cidade de Jericó. Os rebeldes tinham então se espalhado pelo interior do país e ocupado a Judéia e muito da Iduméia e do sul da Galiléia. Uma coorte da 3a tinha procurado escapar de sua fortaleza em Macaerus e alcançar a capital provincial, Cesaréia. Outra coorte da 3a Gallica, que controlava a cidade portuária de Ascalon, tinha combatido os atacantes, mas estava isolada lá desde então. Herodes Agripa II tenta conter a revolta e não consegue.

A derrota de Gallus

Substituto de Corbulo como governador da Síria, tenente-general Cestius Gallus, obteve sua nomeação por idade, e não por habilidade. Após um atraso de três meses, Gallus relutantemente marchou com uma força de 28 mil homens para restabelecer o controle de Roma na Judéia. Entre as unidades que ele escolheu para essa força-tarefa estavam quatro coortes de legionários sírios da 3a Gallica e quatro da 22a Primigeneia, uma legião tradicionalmente recrutada na Galácia, ao norte. Mas o núcleo da força de Gallus era composto por oito coortes da 12a Legião. A 12a estava perto de seu 20e ano, o ano da dispensa — seus legionários mais jovens estavam com 39 anos e a maioria de seus soldados seniores tinha 59 e estava entusiasticamente ansiando por sua aposentadoria tão próxima. Mas o general Gallus estava superconfíante de que, quando descesse até lá, a resistência dos rebeldes judeus iria se dissolver à vista de um exército legionário romano e que seus homens nem teriam de levantar a espada contra eles. Quão errado estava Gallus. Fazendo um progresso vagaroso pela Galiléia, queimando tudo em seu caminho, ele chegou às muralhas externas de Jerusalém em novembro, com o inverno prestes a começar e com os rebeldes determinados a resistir à poderosa Roma. Após um cerco superficial de cinco dias, Gallus inexplicavelmente ordenou que suas tropas se retirassem. No vale de Beth-horon, tentando retraçar seus passos de volta à estrada para Lod e a costa, que ele tinha percorrido apenas uma semana antes, a coluna do general Gallus foi rendida e quase totalmente dizimada pelos guerrilheiros rebeldes. Foi somente deixando para trás um esquadrão suicida de 400 voluntários que o general Gallus conseguiu retirar suas tropas à noite. Quando a força tarefa chegou em Cesaréia, tinha perdido seis mil de seus homens e numerosos estandartes, incluindo o emblema da 12a. Entre os mortos estava o general-de-brigada Priscus, comandante da 6a Ferrara, que aparentemente tinha atuado como chefe do estafe de Gallus para a operação. O próprio Gallus morreu pouco depois. Alguns dizem que de vergonha. E tudo isso por nada — a Judéia ainda estava nas mãos dos judeus. O despacho do Palatium tinha informado o coronel da 10a que o imperador tinha nomeado o tenente-general Gaius Licinius Mucianus para substituir Gallus como governador da Síria. Também disse que Nero tinha nomeado o tenente-general Titus Flavius Vespasianus — Vespasiano, como a história passou a conhecê-lo após ele ter se tornado o nono imperador de Roma — para liderar uma força-tarefa especial para pôr um fim à Revolta Judia.

O Inicio da repressão romana

O general Vespasiano deixou Antioquia no final da primavera do ano 67 d.C. para se reunir à sua força-tarefa em Prolemais. Ele sabia, por meio de informantes que tinham escapado da capital índia, que uma luta pelo poder entre os líderes judeus, em Jerusalém, tinha dividido os rebeldes em três facções, que tinham ocupado partes diferentes da cidade e que estavam agora travando uma luta sangrenta e mortal. E as pessoas que tentavam deixar Jerusalém para escapar da loucura, ou salvavam suas peles com ouro ou eram mortas por membros de qualquer das três facções.

O estafe de Vespasiano instou-o a marchar diretamente para a capital judia, mas o brusco e grosseiro Vespasiano era um homem previdente e cauteloso por natureza. Ele não tinha sobrevivido no serviço a três imperadores temperamentais por assumir riscos. Decidiu deixar que os judeus de Jerusalém se cansassem de matar uns aos outros, antes que ele perdesse tempo, esforço ou sangue legionário tentando tomar a cidade. Havia até a possibilidade de que uma ou outra das facções passasse para o lado romano, se ele esperasse tempo suficiente. Enquanto isso, concentrar-se-ia em subjugar os campos ao norte de Jerusalém. Já era junho quando o exército romano saiu de Prolemais. A 10a Legião marchou na vanguarda da coluna.

Vespasiano virou suas tropas para o leste e penetrou no interior da província, determinado a metodicamente tomar as fortalezas judias da Galiléia uma de cada vez. Gabara, no sudoeste da Galiléia, muito próxima de Ptolomais, na fronteira síria, tinha poucas defesas e foi atacada antes do pôr-do-sol, no primeiro dia de luta.

Jotapata, a moderna Jefat, foi outra história. O líder da resistência judia para a região era José, um rebelde de 30 anos, que posteriormente assumiu o nome romano de Flavius Josephus. É a partir de seus escritos que ficamos sabendo a maior parte do que aconteceu na Guerra Judia. tendo recebido originalmente o comando regional enquanto estava em Jerusalém, onde deixou seus pais, Josefo foi, primeiro, para Tiberias. Então, alertado pêlos movimentos das tropas romanas, ele se apressou a sair de Tiberias, indo para Jefat no final de uma tarde de junho, pouco antes de a cidade ser sitiada pela força avançada montada de Vespasiano. Lá ele abrigou mais de 40 mil judeus.

O cerco a Jotapata

A cidade tinha uma boa posição defensiva, com penhascos escarpados em três de seus lados e uma sólida muralha no quarto. O próprio Vespasiano logo chegou com sua força principal e cercou a montanha com duas linhas de infantaria e um anel mais externo de cavalaria. Arqueiros e arremessadores auxiliares continuamente varriam os defensores da muralha da cidade, mas, durante cinco dias, os seguidores de Josefo aventuravam-se fora da fortaleza, em grupos de assalto às linhas romanas, em ataques do tipo "bater e correr", antes de rapidamente se retirarem.

Assim, Vespasiano construiu uma sólida muralha de terra em frente da muralha da cidade, com uma plataforma de artilharia. Depois, trouxe 160 peças de artilharia e colocou-as na sua muralha. Dardos de metal, pedras de mais de 50 quilos, tições em brasa e flechas — tudo foi lançado sobre Jefat durante horas, em saraivadas metódicas. Os defensores da muralha frontal finalmente foram varridos por esse temporal de fogo, mas havia uma grande área por trás dela. Os judeus ainda lançavam contra-ataques, surgindo inesperadamente da cidade e atacando a plataforma de artilharia, afastando os artilheiros de suas armas. Os contra-ataques romanos retornavam à plataforma. Os judeus novamente atacavam a muralha de terra e as tropas romanas a tomavam de volta. Mas, nesse meio tempo, outros rebeldes, trabalhando febrilmente, acrescentaram outra muralha de 18 metros de altura à muralha da cidade.

Pelo fato de a muralha oferecer um front limitado para o ataque, Vespasiano não conseguia usar todas as suas unidades de uma só vez. Assim, por não dar muito valor ao cerco, ele deu descanso a duas de suas legiões. Ele tinha escolhido cuidadosamente as unidades para essa ofensiva. Antes de sua nomeação para o Egito, a 15a Legião tinha vindo de sua estação de Panonia, nos Bálcãs, para servir sob as ordens do marechal-de-campo Corbulo, em sua segunda campanha arménia. Os legionários dessa unidade, homens da Gália Cisalpina, no norte da Itália, eram sólidos e confiáveis. Os degoladores sírios da 3a Gallica estavam ansiosos para se vingar dos judeus, mas sua unidade tinha sido seriamente reduzida pelas mortes ocorridas nas mãos dos rebeldes nos primeiros estágios da revolta. Assim, Vespasiano manteve-a na retaguarda, para usá-la como tropa de choque.

As duas legiões construíram torres e protetores — cabanas de cerco sobre rodas — que eram lançadas a toda velocidade contra a muralha e, com a proteção disso, alguns legionários colocavam para trabalhar seus bate-estacas, enquanto outros tentavam minar a muralha. Em um certo ponto, as construções da 5ª. eram incendiadas pêlos tições em brasa dos judeus. Assim, as construções do cerco eram arrastadas para longe, o fogo era apagado e seus telhados de madeira cobertos com terra, para protegê-los do fogo, antes de serem enviados de volta à posição e os trabalhos do cerco reassumidos.

Uma outra vez, os judeus derramaram óleo fervente sobre os homens tanto da 5a quanto da 10a, que trabalhavam na muralha sob a cobertura de testudos de escudos elevados, causando horríveis queimaduras nos soldados envolvidos. Esse foi o primeiro uso registrado de óleo fervente por defensores de uma fortificação sitiada, uma tática que foi frequentemente imitada na Idade Média. Não que os homens mutilados da 10a tivessem apreciado a maneira horrível pela qual entraram para os livros de história. Certamente esse não era o tipo de destino que tinham imaginado para si mesmos quando se juntaram à legião em Córdoba, pouco mais de três anos antes. Pouco depois, o próprio general Vespasiano foi ferido no pé por uma flecha em chamas, proveniente da muralha da cidade. O primeiro a chegar à cena foi seu filho Tito, enquanto os oficiais do general e seus guarda-costas enxameavam ao redor. Mas, para alívio dos soldados, o ferimento do general foi pequeno e logo ele já estava de pé.

Sabendo que os defensores tinham pouca água, Vespasiano interrompeu o assalto por várias semanas, na esperança de que eles se rendessem por causa da sede; mas, quando os judeus não se renderam, ele retomou o ataque. No 47ª. dia de cerco, após um bombardeio furioso da artilharia, que durou várias horas, as legiões lançaram um assalto notumo. Liderados pelo filho de Vespasiano, Tito, os legionários enxamearam sobre a muralha da cidade, na escuridão, e acabaram com os defensores.

Após a queda de Jefat, 40 mil corpos judeus foram encontrados; 12 mil foram aprisionados, entre eles o comandante judeu Josefo. Diz-se que ele, posteriormente, salvou-se ao profetizar que tanto Vespasiano quanto seu filho Tito tornar-se-iam imperadores de Roma. Ele acompanhou o exército no restante da campanha, dando conselhos e informações sobre seus antigos companheiros de armas.

Pausa na Guerra

Muito embora estivessem apenas na metade de agosto, mas, provavelmente assegurando pelo colaborador Josefo de que a liderança judia, em Jerusalém, estava tão dilacerada pelas lutas internas que fariam com que as diferentes facções se destruíssem, se lhes fosse dado tempo suficiente, Vespasiano retirou a maioria de suas tropas para Cesaréia, planejando passar o inverno lá e recomeçar a campanha na primavera seguinte. Por três semanas ele desfrutou da hospitalidade de seu aliado, o rei Herodes Agrippa II, de Chalcis, bisneto do famoso Herodes, o Grande. Com o consentimento e o apoio de Roma, Herodes Agrippa administrava um pequeno reino, que hoje cobriria o norte de Israel e o sul do Líbano. Foi em sua capital, Cesaréia de Filipe, perto da nascente do rio Jordão, que Vespasiano recebeu a notícia de que um grande número de rebeldes estava se concentrando em Tiberias, na extremidade sul do mar da Galiléia, e que a cidade próxima de Tarichaeae tinha fechado seus portões. Vespasiano ordenou a retomada das operações militares.

Combate na Galiléia

O exército romano caiu sobre Tiberias, que rapidamente se rendeu, mas não antes que seus defensores fugissem para Tarichaeae, um pouco mais distante ao redor do lago. Enquanto as legiões marchavam sobre Tarichaeae, o jovem Tito levou uma grande força de cavalaria à frente. Ele capturou a cidade após uma luta sangrenta, grande parte dela ocorrendo no mar da Galiléia, em barcos e jangadas.

Enquanto Tito voltava, depois, para o norte, para Antioquia, em missão secreta para o general Mucianus, governador da Síria, Vespasiano continuou a avançar, movendo-se para o deserto da Jordânia, a leste do mar da Galiléia, para atacar a cidade de Gamala, que se pendurava em uma escarpa da montanha, descrita por Josefo como semelhante a uma imensa corcova de camelo sobressaindo do deserto. Mas o progresso foi lento.

Um ataque realizado pela 3a Augusta deu errado, quando os telhados que os soldados estavam escalando desmoronaram e as construções ruíram declive abaixo, como um castelo de cartas. Quando Tito retornou da Antioquia, conduziu um ataque do tipo comando, à noite, que retirou as sentinelas judias de uma parte da muralha da cidade. Vespasiano, então, levou as legiões, que estavam à espera, em um ataque nos calcanhares daquele de seu filho e elas tomaram a cidade. Já era dezembro e, enquanto Vespasiano levava o exército de volta à costa para esperar pelo inverno, Tito levou a cavalaria para lidar com a cidade de Gischala, o último obstáculo judeu na Galiléia. Ela logo caiu, enquanto seu comandante judeu, João de Gischala, escapou e fugiu para Jerusalém. Toda a Galiléia estava uma vez mais sob o controle romano.

Operações na Judéia

Na primavera de 68 d.C., com os judeus ainda lutando uns com os outros em Jerusalém, sem mostrar qualquer sinal de capitulação, o general Vespasiano ordenou a retomada da ofensiva. Durante o inverno, sua força foi reduzida pela transferência, ordenada pelo Palatium, de suas seis coortes da 3a Gallica de Cesaréia para Moesia, a atual Bulgária, para reforçar as duas legiões ali estacionadas, que estavam sob pressão crescente de ataques provenientes do outro lado do Danúbio mil homens de uma das legiões residentes, a 7ª. Cláudia e a 8a Augusta, foram perdidos para uma ação inimiga nesse período. Mas, enquanto as coortes da 3a Gallica marchavam na longa jornada até o Danúbio, Vespasiano consolava-se pensando que ainda tinha tropas mais do que suficientes à sua disposição para terminar o trabalho na Judéia. Em março, ele conduziu a cerimónia de lustração dos estandartes das legiões e, depois, deu ordem para levantar acampamento. Enquanto partia de Cesaréia e marchava para o sul, pela costa, com a 5a e a 15a Legiões, Vespasiano recebeu notícias de que Júlio Vindex, governador de uma das províncias da Gália, revoltara-se contra o imperador Nero. Segundo o servil historiador Josefo, essas notícias fizeram Vespasiano acelerar sua campanha, de modo a resolvê-la rapidamente e aliviar o império dessa situação preocupante no Oriente. Enquanto a força principal avançava pela costa, a 10a Legião tomava um caminho diferente. Após passar o inverno perto do rio Jordão, na cidade amiga de Scythopolis, um lugar habitado por pessoas de origem grega e descrito como opressivamente quente no verão, mas com inverno suave, a 10a cruzou o Jordão, antes que o general Trajano a fizesse descer pela margem leste do rio, no distrito de Peraea. Depois, cruzou de volta o rio em oposição a Jericó, destruindo cidades e vilas ao longo do caminho. A 10a, então, sitiou Jericó. A cidade não tinha nem a situação nem o poder de resistência de Jefat e ela e a fortaleza próxima de Chipre foram atacadas pela 10a em Maio. Entre os rebeldes que morreram no assalto estava o comandante judeu da região de Jericó, João ben Simon.

A força principal de Vespasiano rapidamente avançou pela costa até Antípatris e, depois, para Lod e Jamnia, antes de penetrar território adentro e marchar para as montanhas, ao longo da infame estrada Beth-horon, até Emaús. Lá foi construída uma grande fortificação, bloqueando o acesso a Jerusalém pelo litoral. Deixando a 5a Legião estacionada em Emaús, Vespasiano pegou o restante de sua força e retornou para a costa, destruindo a parte norte do distrito de Iduméia. Então voltou para as montanhas, passou por Emaús e destruiu várias vilas montanhesas antes de marchar para Jericó, a oito quilómetros do rio Jordão e cerca de 26 de Jerusalém, onde se reuniu com o general Trajano e a 10a Legião. Enquanto a 10a montava acampamento para passar o inverno em Jericó, forças menores de auxiliares circundaram as montanhas e destruíram rotas de fuga para o sul de Jerusalém. A capital judia estava agora efetivamente cercada. Vespasiano continuou para o Mar Morto, a exatamente um dia de marcha ao sul de Jerusalém; não por alguma razão estratégica, mas para satisfazer sua curiosidade. O lago, 396 metros abaixo do nível do mar e a mais inferior extensão de água da Terra, era famoso em todo o mundo civilizado. O taciturno general ficou parado, olhando as águas escuras e calmas. Para testar sua flutuabilidade, ele lançou prisioneiros judeus na água profunda com as mãos amarradas. E ficou agradavelmente impressionado quando eles flutuaram. Sem dúvida, o mesmo aconteceu com os prisioneiros. Não é improvável que esses prisioneiros fossem da comunidade essênia, em Qumran, os guardiões judeus dos chamados Pergaminhos do Mar Morto. O mosteiro de Qumran, em uma escarpa acima do lago, tinha sido recentemente invadido pela cavalaria auxiliar romana e as construções foram queimadas. Um pequeno posto militar romano foi estabelecido entre as ruínas, guardado por auxiliares.

Situação de Roma e a suspensão das operações

Naquele mesmo mês de maio, um despacho de Roma chegou, trazendo notícias de que o governador rebelde da Gália, Vindex, estava morto — sua revolta tinha sido rápida e brutalmente terminada pelas legiões do Reno após apenas dois meses, e Vindex cometeu suicídio. Nos calcanhares desdas notícias, Vespasiano ouviu que, apesar do destino de Vindex, o general Galba, na Espanha, tinha se declarado imperador, mesmo com Nero ainda no governo de Roma, e estava organizando tropas espanholas e preparando-se para marchar para a Itália e se apropriar do trono pela força. Por todas as províncias, alguns oficiais e funcionários militares estavam falando a favor de Galba e contra Nero. Uma nova guerra civil ameaçava a estabilidade de Roma. Com o império em tumulto, o general Vespasiano fez um balanço de sua situação. Já estavam no fim da primavera e somente Jerusalém e algunas fortificações afastadas, como Masada, permaneciam nas mãos dos judeus. Jerusalém estava cercada. Vespasiano sabia que muitos dos rebeldes ainda estavam lutando entre si. Os primeiros heróis da revolução tinham sido assassinados ou fugido para o sul, para os zelotes, em Masada. Os novos líderes competiam pelo controle da Cidade Santa, enquanto povo lutava por comida. Em comparação, Vespasiano tinha abundância de suprimentos e tinha tempo. Suspendendo as operações ofensivas, ele levou a 15a de volta a seu quartel-general operacional, em Cesaréia, e disse à 10ª.e à 5a para permanecerem firmes em suas bases em Jericó e Emaús.

Sítio de Jerusalém

Enquanto isso, os judeus encontravam-se num conflito civil entre eles, dividindo a resistência entre os sicários, liderados por Simão Bar Giora e os fanáticos conduzidos por João de Giscala. Tito aproveitou então a oportunidade de começar o assalto sobre Jerusalém. Ao exército romano uniu-se a XII Legião, que fora derrotada sob o comando de Céstio Galo. Desde Alexandria, Vespasiano enviou Tibério Júlio Alexandre para que agisse como segundo de Tito. Tito rodeou a cidade no comando de três legiões (V, XII e XV) sobre o lado oeste e enviou a (X) sobre o Monte das Oliveiras a leste. Tito cortou os alimentos e a água à cidade, depois permitiu a entrada de alguns judeus para celebrar a Páscoa negando depois a saída. O exército romano era acossado continuamente pelos judeus e numa ocasião estes quase capturaram Tito.

Após as tentativas de Josefo de negociar uma rendição, os romanos retomaram as hostilidades e destroçaram depressa as primeiras fases da muralha. Para intimidar a resistência, Tito crucificou os desertores judeus em torno das muralhas. Neste ponto os judeus estavam a ponto de se renderem por causa da fome e os romanos aproveitaram a debilidade para irrompir na cidade após quebrar a última fase da muralha. Os romanos penetraram na cidade, capturaram a fortificação Antônia e iniciaram um assalto frontal sobre o Templo. Segundo Josefo, Tito ordenara que o Templo não fosse destruído, porém, durante a batalha pela cidade, um soldado lançou uma antorcha para o interior do Templo e este ardeu depressa. O cronista Sulpício Severo, no entanto, afirma que Tito ordenou a destruição do Templo. Fosse o que for, o Templo foi totalmente destruído e a cidade saqueada, após o qual os soldados proclamaram-no Imperator no campo de batalha. Segundo Josefo 1.100.000 pessoas foram assassinadas durante o sítio, destes a maioria eram judeus. Fontes antigas informam de que 97.000 pessoas foram capturadas e escravizadas, incluindo Simon Bar Giora e João de Giscala. Muitos escaparam a locais próximos do Mediterrâneo. Aparentemente Tito recusou aceitar uma Coroa de erva (condecoração militar romana) alegando que "não há mérito em vencer umas gentes abandonadas pelo seu próprio Deus".

Fonte: Wikipédia


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► As Rebeliões na Diáspora
(Segunda Rebelião Judaica)


► Terceira Rebelião Judaica

Um comentário:

Larissa Da silva disse...

Não adiantou nada tá mais obrigado